sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ânsia




Por que as coisas não podem ser mais simples?

Essa pergunta tem sido quase uma questão existencial na minha vida por várias razões....

Amar quem nos ama?

Contentar-se com quem e o que temos?

Valorizar o tempo presente que é o único que realmente nos pertence?

Fato é que a gente nunca está feliz com o que tem. Há sempre a ânsia de querer coisas diferentes e cada vez mais...

Deus, onde isso vai parar?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

F5: a saga do ansioso




Levanta-se logo cedo e liga o notebook.

Senta-se à cama e digita o domínio... Aliás, não digita não.... A página já está gravada no histórico de tanto que já foi acessada nos últimos meses.

Seja como for, um clique o conduz à página. Mas..... Nada mudou. Nenhuma alteração de data, de nomes naquela lista... Nada. E ele pensa: "Claro, por que logo hoje deveria esperar que essa lista corresse?!". E ainda fecha o seu raciocínio pessimista com chave de ouro: "Se as coisas só dão errado para mim, por que deveria esperar que logo hoje dessem certo?!".....

Apesar de todo o seu mau-humor e pessimismo, ele ainda continua com a tela aberta. Olha para ela, ali toda ajustada, formatadinha e pensa: "Posso dar-lhe o bote agora mesmo, desgraçada. Quer ver?"

E antes mesmo que esse pensamento se processe e chegue ao cérebro, seu dedo indicador já pressiona a tecla F5. É um movimento mecânico, quase como se seu dedo fosse um prolongamento da máquina e obedecesse a um comando instantâneo produzido por uma programação de códigos entrelaçados entre si.... É quase como se, desde todo o sempre, seu DNA contivesse essa programação: "press F5".

Seu pensamento também é mecânico, porque ele acredita piamente naquela máquina. Afinal, ela é precisa e não está programada para falhar... Mas, falha. Mais do que deveria. E assim faz não como um ser humano imperfeito, sujeito ao erro, que simplesmente não logrou atingir um certo patamar de entendimento para realização de uma tarefa. Falha porque quer vê-lo ainda mais ansioso, ainda mais bravo. A máquina falha para te enfezar, porque de nada adiantou pressionar F5. Quem deu o boto - de novo - foi a máquina.

Miserável. Maldita. "Mas até o final do dia, eu te pego", pensa o ansioso. E larga de lado a janela aberta com a página do seu destino e da felicidade. Ficará ali de largo, sim... Mas não para sempre. Porque de 5 em 5 minutos, o ansioso ira conferi-la e apertará automaticamente o F5 até que os calos em seus dedos latejem no final do dia. E assim recomeçará um ciclo infindável, passando pelas diversas outras páginas que lhe são familiares (blogs, fóruns, facebook, orkut) até acabar na página do F5. E isso se repetindo dia após dia, mês após mês até.... quiçá o final de sua vida.

O ansioso não tem certeza, mas acha que nasceu para esperar. Por isso é que o F5 lhe cai tão bem....

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Numa moto





"Preso nessa cela
De ossos, carne e sangue,
Dando ordens a quem não sabe,
Obedecendo a quem tem,
Só espero a hora,
Nem que o mundo estanque,
Prá me aproveitar do conforto,
De não ser mais ninguém.
Eu vou virar a própria mesa,
Quero uivar numa nova alcatéia,
Vou meter um "Marlon Brando" nas idéias,
E sair por aí,
Prá ser Jesus numa moto,
Che guevara dos acostamentos,
Bob Dylan numa antiga foto,
Cassius Dlay antes dos tratamentos,
John Lennon de outras estradas,
Easy Rider, dúvida e eclipse,
São tomé das letras apagadas,
E Arcanjo Gabriel sem Apocalipse.
Nada no passado,
Tudo no futuro,
Espalhando o que já está morto,
Pro que é vivo crescer,
Sob a luz da lua,
Mesmo com sol claro,
Não importa o preço que eu pague,
O meu negócio é viver,
Sob a luz da lua...
Mesmo com sol claro...
Preso nesta cela..."

Sá, Rodrix e Guarabira

sábado, 17 de abril de 2010

Bem a calhar

Abro o facebook e adivinhem com o que me deparo?


"O homem estava anoitecido.
Se sentia por dentro um trapo social.
Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado
E sujo.
Tentou sair da angústia
Isto ser: Ele queria jogar o casaco rasgado e sujo no lixo.
Lixo.
Ele queria amanhecer."

(Manoel de Barros)



"Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo
sabe que a qualquer momento ...
ele pode voar "

Rubem Alves

Migalhas





Por que as coisas não são mais simples?

Por que não amo quem me ama? Seria tão mais simples...

Mais uma vez, sinto que minha vida são os desencontros nos encontros...

As pessoas certas nas horas erradas. Não dá simplesmente para forçar um gostar. Ninguém manda no coração. É isso que me angustia.

Para complicar o meio de campo, tem sempre um terceiro elemento, um estranho nisso tudo. Preciso aprender a separar as coisas do mundo de hoje - sentimentos e atração, sentimentos e paixão. E preciso logo pq tenho a impressão que vou me ferrar ainda com isso.

Por fora, eu tento manter uma imagem impassiva, uma imagem de mulher forte, bem resolvida, acostumada com esses lances modernos... Mas por outro, eu estou morrendo de medo de me apegar, de me apaixonar, de me deixar envolver por tudo isso....

Não quero ser feita de boba. Ser usada e jogada fora.

Não posso me contentar com as migalhas. Não quero as sobras para mim.

Eu mereço alguém pleno e que corresponda aos meus sentimentos e vice-versa. Se não for assim, não pode ser. Não há concessões e transações nessas áreas. Tenho de aprender a não ceder.

É, de fato, ninguém é de ninguém.... Só temos a nós mesmos e a DEus.


P.S.: Quando fui procurar uma imagem adequada a esse post, acabei descobrindo um ouytro blog e achei esses dizeres. Ainda bem que eu não sou a única que sofre desse mal....


PáraDe fingir que não repara

Pára de achar que é assim
Pára de achar que é normal

Pára de aceitar o pouco
Pára de aceitar o NADA

Eu quero o inteiro
Eu quero a ligação
Eu quero resposta à minha mensagem
Eu quero, e isso não é querer demais


Disponível em http://ozdravljenje.blogspot.com/2009/01/saia-dessa-vida-de-migalhas.html

domingo, 11 de abril de 2010

Dúvidas

Bem, nesse blog tem vários posts com"D": Desabafo, Desalento, Desejos... E agora: "Dúvidas". Sim, eu poderia escrever um dicionário com os verbetes iniciados por "D".

De qualquer sorte, a Dúvida sempre existiu em minha vida, em especial nos últimos anos. Esse blog nasceu de uma explosão de dúvidas existenciais. As respostas podem até se mostrar durante algum tempo, mas a Dúvida estará sempre lá. Na saúde e na doença; na dor e na alegria... Devo ter selado algum pacto inconsciente com essa entidade.

Sempre ouvi que a gente tem que amar quem nos ama. Não sei até onde isso pode ser factível. Eu gosto, tenho um bem-querer, um carinho, mas não amo. Há certas compatibilidades de objetivo de vida, profissional, familiar e até religiosa. Mas falta algo que não sei explicar muito bem. Só sei que o efeito é o de um vazio.

Posso tentar descrever esparsamente algumas coisas que se passam em mim:
É uma solidão que sinto, embora cercada de pessoas.
É uma falta não apenas de alguém material e fisico, mas principalmente de ideias. Sim, eu preciso de ideias para viver. Nem só de pão vive o homem.
É uma cumplicidade que não existe nesse relacionamento, do tipo você olhar para pessoa e saber o que se passa dentro dela.

Então, devo insistir num namoro agradável, cômodo, mas no qual a paixão já começa a falhar? Tento ir adiante e me esforço mais para amar, dando um voto de confiança a esse namoro?
Devo seguir adiante nesse relacionamento pela comodidade e esquecer esse algo que eu tanto procuro e não sei bem o que é?
Devo continuar procurando esse algo?

Esse "algo" nem sei se existe. É apenas uma utopia, algo que existe na minha cabeça por enquanto. Ou para sempre.
E esse "algo" é sempre associado a um relacionamento inexistente. Só eu devo viver isso. Sozinha. Sem parceiro nessa estrada.
Devo continuar tendo delirios de insanidade com uma pessoa que na realidade não é como na ideia que tenho sobre ela? Devo continuar me agarrando nesse ideal que pode estar me bloqueando para outros sentimentos e pessoas?

Ou simplesmente esqueço tudo isso que me aflije e me deixo levar pela estrada da vida?!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Motherfuckers!




É decepção atrás de decepção....

Controle atrás de controle....

Implicância atrás de implicância.....
Só que dessa vez vocês não farão da minha depressão um instrumento de controle....

Será que eu mereço isso?!

Quando essa perseguição vai ter fim?!

Quando é que vocês vão me deixar em paz e cuidar da vida miserável que vocês levam?!

Mais uma inexorável lei da vida: you´re feeling so good after a long period of depression, you´re enjoying life again and guess what there´s always a motherfucker, bloody bastard to screw up your happiness....

Guess what 2: Normally motherfuckers belong to your family!

Fuck!